O trabalho de base é fundamental para a compreensão dos trabalhadores sobre o papel sindical

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Texto de Moacyr Roberto Tesch Auersvald

Em muitas oportunidades, citamos que no 1º de Maio, Dia do Trabalhador, não havia muito o que comemorar. Essa afirmação parece se agravar neste ano, o pior dos últimos tempos, com tantas retiradas de direitos trabalhistas feitas pelo atual governo. Mas é importante lembrarmos que ainda nos resta a esperança de mudar o quadro atual, utilizando a maior arma que o trabalhador tem em suas mãos, o voto.

Em 2018, estaremos passando uma procuração para que outras pessoas dirijam nosso país e cabe a nós dar um norte para a próxima gestão.

Nesse pensamento, o fortalecimento e união da classe trabalhadora é fundamental para que consigamos mais representatividade no Congresso e novamente tenhamos representantes do povo na Presidência que valorizem o movimento sindical, a base do desenvolvimento social. As lutas que o sindicalismo participou, historicamente, ajudaram a reduzir a desigualdade, em defesa dos direitos da classe trabalhadora brasileira.

Nesse embate, o trabalho de base é fundamental para a compreensão dos trabalhadores sobre o papel sindical em várias frentes, inclusive de conscientização política. Assim como o papel crucial das federações, confederações e centrais sindicais, que formam parte dessa única instituição, fora do eixo dos três poderes, com representatividade legal para ser interlocutora da população trabalhadora no Brasil.

Sabemos que há um movimento de repulsa contra as entidades sindicais, principalmente por pessoas mal informadas ou influenciadas pelo movimento patronal, que pratica ações antissindicais, pressionando trabalhadores a não participarem de assembleias, decisões contratuais do sindicato e de serem associados. Mas dentro de pouco tempo, quando as convenções coletivas forem vencendo e os trabalhadores não tiverem mais proteção sindical e os avanços conquistados, ficará bem claro quem está do lado dos brasileiros e brasileiras. Nós, como sindicato, nunca daremos as costas à população.

É preciso salientarmos também que hoje contamos com um governo que, em nome de uma suposta modernidade e se aproveitando da fragilidade do desemprego que passamos, expõe a classe trabalhadora a péssimas condições laborais, num retrocesso inimaginável alguns anos atrás.

Retira-se o custeio das entidades sindicais, o poder da negociação e fecharam-se as portas para os representantes do povo — um Congresso surdo aos anseios dos trabalhadores, quase nenhum diálogo com o Executivo e, no Judiciário, poucos nos dão atenção. Para piorar, o Ministério do Trabalho e Emprego se torna uma entidade sucateada e falida.

No Brasil, não é a primeira vez que passamos por dificuldades. Tivemos a morte de Getúlio e Tancredo Neves, a ditadura militar e dois impeachments, mas nunca tivemos um ataque tão violento como esse aos direitos dos trabalhadores.

Mas precisamos continuar em frente, mesmo feridos, levantando a moral da tropa, para podermos ter um mundo mais justo para todos. Assim, conclamamos a todo o movimento sindical e movimentos sociais para que não desistam e deem continuidade a nossa luta, pois nunca foi fácil. Vamos nos lembrar muito bem de quem aprovou retrocessoscomo a Reforma Trabalhista e votar somente nos que realmente a classe trabalhadora, a peça principal dessa engrenagem que move o Brasil. Pois temos certeza que juntos somos fortes.

(Moacyr Roberto Tesch Auersvald é presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade, Contratuh, e secretário geral da Nova Central Sindical de Trabalhadores, a NCST)

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